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Entre painéis fotovoltaicos, baterias, sensores, algoritmos e redes de comunicação, um conjunto de infraestruturas de produção, transmissão e distribuição de energia vem transformando o campus da Unicamp em um espaço de experimentação da transição energética. No mapeamento preliminar das redes de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) associadas à sustentabilidade, desenvolvido pela pesquisadora Marcela Paschoal em sua pesquisa de pós-doutorado,  vinculada à Pró Reitoria de Pesquisa (PRP) da Unicamp, o convênio estabelecido entre a Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC/Unicamp) e a CPFL Energia se destaca como um importante núcleo de articulação que une inovação tecnológica e impacto social no ecossistema do Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS).

Vinculado ao projeto MERGE (Microgrids for Efficient, Reliable and Greener Energy), o convênio articula universidades, empresas do setor elétrico, centros de pesquisa e programas de inovação em torno do desenvolvimento de microrredes inteligentes — sistemas capazes de integrar geração fotovoltaica, armazenamento em baterias, monitoramento digital e gerenciamento automatizado da energia.

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Microrredes compõe estratégia para lidar com fenômenos climáticos extremos. Foto: Lucio Camargo/SEC Unicamp

As análises realizadas até o momento pela pesquisadora indicam que essas microrredes não atuam apenas como infraestruturas técnicas voltadas à eficiência energética. “Elas se constituem como redes de integração complexas, nas quais diferentes atores humanos e não humanos — dispositivos técnicos, infra estruturas e fluxos digitais — passam a compor um emaranhado de energia, dados e comunicação”, afirma.

As análises preliminares indicam ainda que a sustentabilidade que emerge dessas redes envolve múltiplas camadas: eficiência energética, digitalização, descarbonização, segurança energética e resiliência infraestrutural. Ao mesmo tempo, o estudo aponta que estes sistemas dependem de cadeias materiais globais associadas à mineração, à fabricação de baterias, painéis solares e dispositivos digitais que colocam novos desafios e tensões da chamada transição energética. 

Além disso, mais do que integrar fontes de energia renováveis, a transição energética se relaciona diretamente à capacidade de adaptação e resposta diante de eventos extremos relacionados às mudanças climáticas. Segundo o professor Luiz Carlos Pereira da Silva, professor FEEC e coordenador do Macroprojeto Campus Sustentável Unicamp, ligado à Diretoria Executiva de Sustentabilidade (DExS), a crescente vulnerabilidade dos sistemas elétricos contemporâneos tem evidenciado a importância de redes menores e descentralizadas, capazes de operar de forma relativamente autônoma em situações críticas. A implementação da microrrede CampusGRID demonstra justamente a importância da dimensão infraestrutural da transição energética. 

Bibliotecas, sistemas de iluminação, climatização, laboratórios e ônibus elétricos passam a integrar uma rede atravessada simultaneamente por fluxos de energia, informação e comunicação. Sensores distribuem informações em tempo real; algoritmos processam dados continuamente; e sistemas de gerenciamento de energia dão suporte às decisões operacionais para garantir a estabilidade, eficiência e confiabilidade da rede.

A análise deste convênio permite visualizar como diferentes práticas científicas, tecnológicas e institucionais passam a se articular na construção de soluções voltadas à sustentabilidade. “Nesse contexto, o campus universitário emerge como um “laboratório vivo” da transição energética, no qual universidades, empresas, pesquisadores, dispositivos digitais e infraestruturas energéticas passam a se entrelaçar continuamente na experimentação de soluções voltadas à sustentabilidade”, aponta Marcela.

“Mais do que apresentar respostas definitivas, a pesquisa busca acompanhar os movimentos, entrelaçamentos e desafios que atravessam essas redes de ciência, tecnologia e inovação, seguindo os rastros das múltiplas formas pelas quais a sustentabilidade passa a ser construída diante das mudanças climáticas contemporâneas”, finaliza a pesquisadora.

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