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Quando você usa o Google Drive, você está utilizando a computação em nuvem. Em vez de você guardar seus arquivos no HD do seu computador ou na memória do celular, eles são enviados e armazenados em servidores remotos espalhados pelos datacenters do Google. O conceito de computação em nuvem surgiu nos anos 1960 quando o professor John McCarthy, da Universidade de Stanford, sugeriu que o compartilhamento de dados da internet poderia ser vendido como um serviço público, de modo similar à eletricidade. O termo em si — cloud computing — derivou de diagramas de redes de telecomunicação, onde o desenho de uma nuvem simbolizava a internet ou uma infraestrutura complexa e oculta. No entanto, a despeito desta associação à leveza ou com “algo que não se vê”, a manutenção de arquivos na nuvem tem um custo ambiental expressivo. A nuvem exige infraestrutura física robusta e consome grandes volumes de eletricidade e água 24 horas por dia para manter os servidores funcionando e resfriados.

Arquivos duplicados, e-mails antigos, versões repetidas de documentos ou fotos, vídeos de visualização única e aplicativos não utilizados são exemplos de resíduos digitais que geram um impacto alto no volume de dados armazenados. Há ainda o chamado “dark data”, conjunto de dados coletados e armazenados que nunca serão utilizados novamente. Segundo um estudo da Veritas Technologies (2020), este tipo de dado gera mais de 5,8 milhões de toneladas de emissões de CO2 anualmente, o que equivale às emissões anuais de 1,23 milhão de carros.

De acordo com dados da Diretoria Executiva de Tecnologia de Informação e Comunicação (Detic) da Unicamp, apenas no mês de janeiro deste ano a pegada de carbono resultante do volume de arquivos armazenados no Google Workspace da universidade foi de quase três toneladas. Além dos impactos nos custos com a infraestrutura, o crescimento acelerado no volume de dados armazenados impõe desafios como a dificuldade de localizar informações. Vídeos e fotos, muitos deles de visualização única, são os que mais ocupam espaço. Arquivos soltos, sem pasta, são esquecidos e se acumulam.

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Oficina de limpeza digital incentiva práticas mais sustentáveis para o uso dos ambientes digitais. Crédito: Washington Rodrigues

Semeia 2026 — Nesse contexto, a limpeza e a organização periódica dos arquivos institucionais tornam-se práticas essenciais para garantir eficiência, segurança e sustentabilidade. Foi para estimular a adoção de práticas de limpeza digital que a Diretoria Executiva de Sustentabilidade (DExS), por meio da Coordenadoria de Gestão Ambiental e de Resíduos (GEARE / GRL), o Laboratório Fluxus e a Detic organizaram a Oficina de Limpeza Digital, que aconteceu dentro da programação da Semana do Meio Ambiente 2026, no dia 02 de junho.

A ideia de realizar as oficinas de limpeza digital na Unicamp foi inspirada no movimento Digital Cleanup Day, que tem como objetivo conscientizar sobre a poluição digital, incentivando indivíduos e empresas a desintoxicar e reestruturar sua presença online. “O armazenamento de apenas 4 GB de dados por 1 ano equivale à emissão de 1 kg de CO2, o que torna a gestão eficiente de dados uma necessidade tanto ambiental quanto operacional para as instituições”, lembrou Aline Eid Galante, da Detic.

Nesta segunda edição da oficina, que contou com 69 participantes, foram propostas atividades para identificação e remoção de conteúdos desnecessários. Entre elas estão a exclusão de e-mails com anexos pesados, newsletters antigas, mensagens de spam, arquivos duplicados, documentos órfãos, registros obsoletos compartilhados e gravações antigas do Google Meet. Também foram apresentadas orientações para auditoria de permissões de acesso, revisão de compartilhamentos e organização do Google Fotos. São ações simples que melhoram o desempenho dos dispositivos, liberam espaço de armazenamento e reduzem o consumo de energia dos servidores em nuvem, diminuindo também a sua pegada de carbono.

No dia 03 de junho, Aline Galante e a coordenadora da Divisão de Gestão de Resíduos e Licenças (GRL) da DExS, Regina Micaroni, participaram da 34ª reunião ordinária de 2026 da Câmara Municipal de Campinas que teve como tema “Limpeza digital: tecnologia e sustentabilidade em ação”, quando puderam compartilhar com os vereadores e o público do evento parte da experiência da Unicamp em projetos relacionados à circularidade de resíduos.

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Sebastião Eleutério Filho, do CTI; Wagner Romão, Aline Galante e Regina Micaroni. Vereadores elaboraram Projeto de Lei para instituir Semana da Limpeza Digital em Campinas. Crédito: Divulgação

A proposta do tema para a sessão foi dos vereadores Wagner Romão (PT) e Luis Yabiku (Republicanos). Durante o sessão, Romão contou que foi protocolado na Câmara Municipal o projeto de lei que institui a Semana Municipal da Limpeza Digital em Campinas. Segundo ele, o projeto tem como objetivo esclarecer a população sobre os impactos ambientais do lixo digital invisível ao olho humano nas pessoas, no meio ambiente e nas organizações; sobre a importância da limpeza digital, seja para o bem-estar das pessoas, seja para a economia ou otimização de recursos e processos das empresas e demais organizações; e promover ações formativas que contribuam para a compreensão da necessidade de se juntar ao esforço municipal da limpeza digital.

Se o projeto for aprovado, a Semana da Limpeza Digital será realizada anualmente pelo Poder Executivo na terceira semana do mês de março.

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