Tales Barbosa Tercetti é aluno do programa de mestrado em ecologia do Instituto de Biologia da Unicamp. Orientado pela professora Eleonore Setz e coorientado pelo professor Milton Cesar Ribeiro, da Unesp de Rio Claro, ele estuda como diferentes fatores da paisagem influenciam a ocorrência de três espécies de felinos, a jaguatirica, o gato-do-mato-pequeno-do-sul e o jaguarundi). “Trabalho com dados de armadilhas fotográficas distribuídas em aproximadamente 200 pontos, então tenho registros de frequência dessas espécies em várias áreas diferentes”, explicou. Tales foi um dos vencedores do “Biodiversity on Campus Photo Contest”, promovido pela International Sustainable Campus Network (ISCN) como parte de suas iniciativas que buscam reconhecer projetos de sustentabilidade universitária.

No entanto, a foto premiada não é parte conjunto de registro da pesquisa de mestrado. “Em abril do ano passado, ao sair do Departamento de Biologia Animal (DBA) à noite, me deparei com um cachorro-do-mato atravessando a rua sem saída, ao lado do Instituto de Biologia”, contou. Intitulada “O guardião da meia-noite”, a fotografia foi vencedora na categoria “Biodiversidade no campus” no concurso promovido pela ISCN. A imagem é parte de uma exposição que acontece paralelamente à edição de 2026 da Conferência da ISCN, entre 20 e 24 de maio, em Cape Town, África do Sul.
O concurso tem como foco registrar a biodiversidade nos campi universitários ao redor do mundo — desde plantas e animais até interações entre natureza, infraestrutura e comunidade acadêmica. O objetivo é dar visibilidade à biodiversidade nos ambientes universitários, muitas vezes invisibilizada, estimular uma narrativa visual e engajadora sobre sustentabilidade, combinando fotografia com pequenas descrições, em uma iniciativa de comunicação científica e sensibilização ambiental.

Conforme explica o aluno da Unicamp, o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) é um canídeo comum na América do Sul que habita desde florestas até áreas agrícolas. Tem hábitos principalmente noturnos e costuma ser mais solitário. Sua dieta é bem generalista, composta por frutos, insetos, pequenos vertebrados, ovos e até carniça. “Isso faz com que ele também tenha um papel importante como dispersor de sementes”, lembrou Tercetti. “Acredito que a imagem evidencia a resiliência da biodiversidade urbana ao mostrar como a fauna se adapta e transita por ambientes dominados pelo ser humano sob a cobertura da noite. Também nos lembra de que os ecossistemas naturais e a infraestrutura urbana estão cada vez mais interligados, exigindo um equilíbrio entre a expansão urbana e a preservação de corredores ecológicos”, pontuou.
Unicamp na Conferência anual da ISCN – A Diretoria Executiva de Sustentabilidade da Unicamp (DExS) está na África do Sul, participando da Conferência Anual da ISCN. Thalita Dalbelo e Gabriela Romero, da Coordenadoria de Sustentabilidade (CSUS), apresentaram um conjunto de ações da Unicamp com potencial para impulsionar a economia circular. Entre elas estão o programa de reuso de materiais e o projeto dos corredores ecológicos. Amanda Roberta Almeida, da Divisão de Gestão em Resíduos e Licenças (GRL), levou estudo sobre o uso de infográficos na comunicação da gestão de resíduos infecciosos. Dalbelo também apresentou projeto de utilização de Soluções Baseadas na Natureza (SBNs) nos sistemas de drenagem da Universidade. Na terça-feira (21), ela compôs a mesa redonda “Sustentabilidade em ação: pesquisa, justiça e governança para as transições climáticas”, cujo objetivo foi discutir o papel das universidades na promoção da ação climática, com foco em suas contribuições para a governança global, a produção de conhecimento e as transições justas.

A ISCN é uma rede internacional que reúne universidades que operam na fronteira da sustentabilidade. Para o diretor executivo de sustentabilidade da Unicamp, Roberto Donato, participar da Conferência da ISCN tem implicações estratégicas concretas. “Além da projeção das nossas ações em gestão de sustentabilidade em nível internacional, estar aqui nos possibilita identificar lacunas e oportunidades de melhoria e acessar benchmarks de alto nível em temas como governança climática, infraestrutura e indicadores”, contou o diretor. Além disso, segundo ele, como um espaço de diplomacia científica e institucional, a presença da Unicamp, abre possibilidades de constituir consórcios em nível internacional alinhados à Agenda 2030 da ONU.
