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Durante um painel dedicado à economia circular, realizado no dia 25 como parte da programação do 12th International Workshop on UI GreenMetric Sustainable University Rankings (IWGM 2026), a comitiva da Unicamp apresentou uma metodologia desenvolvida para medir o avanço das práticas de economia circular nos campi universitários.

Intitulado “Assessing circularity in higher education institutions: a framework applied to Unicamp, Brazil” (Avaliação da circularidade em instituições de ensino superior: um framework aplicado à Unicamp, Brasil), o estudo é assinado pela arquiteta e assessora da DExS, Thalita dos Santos Dalbelo, Roberto Donato da Silva Junior, diretor executivo de sustentabilidade da Unicamp, e ainda pelo professor do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), Tadeu Fabrício Malheiros.

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Metodologia desenvolvida pelos pesquisadores da DExS organiza a avaliação da circularidade universitária em seis dimensões: materiais e resíduos; energia e clima; recursos hídricos; regeneração ecológica; governança e educação e mobilidade sustentável. Crédito: Regina Micaroni

A pesquisa parte do reconhecimento de que os campi universitários podem funcionar como laboratórios vivos de sustentabilidade, nos quais práticas de gestão, pesquisa, ensino e relacionamento com a sociedade são articuladas para promover a transição para uma economia circular. “Embora rankings e sistemas de indicadores de sustentabilidade universitária tenham se multiplicado nos últimos anos, ainda são limitadas as ferramentas desenvolvidas especificamente para avaliar a circularidade de instituições de ensino superior”, explica Dalbelo. “A proposta do estudo é contribuir para preencher essa lacuna, oferecendo um instrumento que permita acompanhar avanços, identificar oportunidades de melhoria e apoiar a tomada de decisões”, acrescenta.

Ainda segundo ela, o framework foi construído a partir de uma revisão da literatura sobre universidades sustentáveis, campi circulares, ecologia industrial e métodos de avaliação da economia circular, combinada à análise de indicadores utilizados pelo UI GreenMetric World University Rankings. A metodologia organiza a avaliação da circularidade universitária em seis dimensões: materiais e resíduos; energia e clima; recursos hídricos; regeneração ecológica; governança e educação e mobilidade sustentável. A escolha dessas dimensões amplia a compreensão da economia circular para além da gestão de resíduos. A proposta considera os diferentes fluxos de materiais, energia, água, recursos naturais e conhecimento que atravessam o campus, além dos aspectos institucionais necessários para promover mudanças estruturais.

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A arquiteta da DExS, Thalita Dalbelo, apresentou uma metodologia para medir práticas de circularidade em campi universitário em painel dedicado à economia circular. Crédito: Regina Micaroni

Unicamp como laboratório de aplicação

Para testar a metodologia, os pesquisadores analisaram iniciativas de sustentabilidade já em desenvolvimento na Unicamp. Entre elas estão programas de valorização de resíduos, projetos de energia renovável, soluções baseadas na natureza para a gestão da água, ações de conservação da biodiversidade, mecanismos de governança da sustentabilidade e estratégias de mobilidade de baixo carbono. A aplicação do framework demonstra que é possível avaliar a circularidade de um campus de maneira integrada, relacionando aspectos ambientais, materiais, energéticos, ecológicos e institucionais.

A metodologia pode ser utilizada não apenas para identificar o estágio atual de uma universidade, mas também como instrumento de benchmarking e monitoramento contínuo. Dessa forma, o framework permite acompanhar a evolução das iniciativas ao longo do tempo e subsidiar decisões baseadas em evidências.

Ao propor uma abordagem específica para instituições de ensino superior, o estudo reforça a ideia de que a universidade não deve ser apenas um espaço de produção e disseminação de conhecimento sobre sustentabilidade. “O próprio campus pode ser utilizado como ambiente de experimentação, inovação e demonstração de soluções que contribuam para enfrentar desafios ambientais e sociais”, aponta Dalbelo.

A avaliação da circularidade também permite aproximar diferentes áreas da atuação universitária. Gestão de resíduos, eficiência energética, conservação ambiental, mobilidade, educação, pesquisa e governança passam a ser compreendidas como partes de um mesmo sistema. “É o que estamos buscando na Diretoria Executiva de Sustentabilidade da Unicamp, criada justamente para integrar diferentes dimensões da sustentabilidade e ampliar a capacidade da Universidade de atuar de forma articulada diante dos desafios socioambientais”, destaca Donato.

Segundo ele, a criação da DExS representa um movimento de institucionalização da sustentabilidade na Unicamp. Ao reunir a Coordenadoria de Sustentabilidade, a Divisão de Resíduos e Licenças e o Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS), a Diretoria cria condições para conectar a gestão do campus à pesquisa, à inovação, à educação e às relações com a sociedade. “O campus passa, assim, a ser compreendido não apenas como infraestrutura de suporte às atividades acadêmicas, mas como um território de experimentação e implementação de soluções sustentáveis”, finaliza.

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