Uma delegação formada pelo reitor em exercício da Unicamp, Fernando Coelho, e por representantes de institutos de pesquisa, de instituições de ensino superior, do setor privado e da prefeitura de Campinas apresentou nesta segunda-feira (20), à ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, uma proposta que reconhece Campinas como Hub Nacional de Tecnologias Quânticas. A proposta original foi debatida na segunda quinzena de março na prefeitura de Campinas, em encontro que contou com representantes da academia, do serviço público e representantes do setor privado.
Segundo a proposta, Campinas conta com um ecossistema único no país ao concentrar instituições de ensino que combinam pesquisa teórica pura, além de ampla infraestrutura de hardware em escala atômica, iniciativas do setor privado e forte apoio institucional. A concentração dessas instituições em Campinas faz da cidade a principal candidata a se consolidar como o grande hub ou polo nacional de tecnologias quânticas do Brasil, diz o documento entregue à ministra.

Para Coelho, trata-se de um movimento em que o poder público municipal se junta de forma clara a diferentes órgãos de pesquisa e universidades para formular uma proposta de interesse regional e nacional. “A Unicamp participa [desse projeto] como um dos maiores polos de geração de conhecimento e formação de pessoas. E esse é um papel fundamental da Universidade”, disse Coelho. De acordo com o reitor em exercício, Campinas conta com uma rede de pesquisas e empresas do setor compondo um cenário que torna a região uma base já consolidada para o desenvolvimento de tecnologias quânticas. “O resultado do encontro foi a concordância da ministra”, contou Coelho.
A proposta – A proposta posiciona Campinas como um centro nacional de capacitação, pesquisa e desenvolvimento de tecnologias quânticas, com atuação prioritária em áreas como hardware quântico, micro e nanotecnologia, fotônica, criptografia e comunicação, integração de sistemas e ambientes de prototipagem e testes. Na prática, o Hub deverá conectar infraestrutura científica, pesquisa e setor produtivo, acelerando o desenvolvimento de produtos, serviços e aplicações tecnológicas. O documento foi elaborado pela Prefeitura, com apoio do Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação e por instituições parceiras, numa demonstração de articulação entre poder público, universidades, centros de pesquisa e setor produtivo.
Para o prefeito de Campinas, Dário Saadi, a proposta destaca o papel de Campinas na construção de uma agenda nacional de desenvolvimento tecnológico. “Campinas tem uma trajetória de décadas na ciência, na tecnologia e na inovação. Hoje, reúne conhecimento, infraestrutura e profissionais capazes de atuar em áreas estratégicas para o futuro. Apresentar essa proposta ao Governo Federal é uma oportunidade de colocar essa capacidade a serviço do desenvolvimento tecnológico e da soberania do Brasil”, afirmou.

A prefeitura avalia que o reconhecimento de Campinas como Hub Nacional poderá ampliar a capacidade da cidade de atrair investimentos públicos e privados, fortalecer projetos de pesquisa e desenvolvimento e estimular a instalação e o crescimento de empresas de base tecnológica.
A iniciativa também busca contribuir para uma estratégia nacional de desenvolvimento tecnológico, ampliando a capacidade brasileira de desenvolver soluções próprias em áreas estratégicas e fortalecendo a indústria nacional. Em suma, a proposta visa à redução da dependência tecnológica externa, à formação de profissionais altamente qualificados e ao fortalecimento da soberania científica, tecnológica, industrial e econômica do país.
Delegação – Além da Unicamp, participaram do encontro em Brasília representantes da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas); do Instituto de Pesquisas Eldorado; do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM); do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD); da Fundação para Inovações Tecnológicas (FITec); do Venturus; dos Laboratórios Von Braun (Von Braun Labs); do SiDi Instituto de Ciência e Tecnologia; do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI Renato Archer); da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação de Campinas (CMCTI).
