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Resíduos biológicos, químicos,  da construção civil e resíduos sólidos urbanos são alguns tipos de resíduos gerados na Unicamp. Conhecer a trajetória de cada um deles e suas especificidades foi o objetivo do encontro “A trajetória dos resíduos na Unicamp”, que aconteceu no dia 16 de abril na Faculdade de Ciências Médicas (FCM). Organizado a partir de uma parceria da Coordenação de Gestão de Resíduos e Licenças (GRL) ligada à Diretoria Executiva de Sustentabilidade (DExS), e a FCM, o evento contou com recursos do Plano de Ações Estratégicas de Sustentabilidade (PAESUS 2024), uma iniciativa da Coordenadoria de Sustentabilidade da Unicamp (CSUS), também ligada à DExS. Com recursos da ordem de R$ 1 milhão, o PAESUS patrocina propostas em áreas como energia, infraestrutura, meio ambiente e água com objetivo de promover ações sustentáveis, integrando-as às estratégias de gestão da universidade, alinhando-se ao Planes 21-25.

Washington Rodrigues Silva
Washington Rodrigues da Silva, do Geare, em apresentação no encontro “A trajetória dos resíduos na Unicamp”. Foto: Mario Moreira

Na mesa de abertura do evento, Herling Gregório Aguilar Alonzo, professor associado do Departamento de Saúde Coletiva da FCM, destacou o evento como um passo adiante na gestão de resíduos na Unicamp. “Os resíduos são o principal problema de saúde pública no mundo e, para lidar com este desafio, a discussão em eventos como esse é fundamental”, afirmou. “E, como estamos aqui para relembrar que a gestão de resíduos envolve especificidades, é bom lembrar que na FCM temos resíduos biológicos e biotecnológicos, o que demanda boas respostas nos processos de gestão, atenção e aperfeiçoamento constante”, complementou Alonzo, que coordena a Comissão de Gestão Ambiental da FCM.

Um dos públicos-alvo do Encontro foram os facilitadores. Indicados pelo diretor local, eles são responsáveis pela implementação das diretrizes de sustentabilidade da Universidade e pela execução de iniciativas de sustentabilidade no contexto específico da unidade, por exemplo, a implantação de coleta seletiva, ações de redução de consumo de água e energia e organização de campanhas internas. “Eu participei desde o início dos processos de capacitação dos facilitadores e, hoje, vendo este auditório lotado, percebo como descentralizar a gestão da sustentabilidade foi uma decisão acertada desta Universidade”, disse Sandro Tonso, docente da Faculdade de Tecnologia (FT), atuando em cursos como Engenharia Ambiental e Tecnologia em Saneamento Ambiental, focando em temas como formação de educadores e ambientalização no ensino superior. 

Também presente na mesa de abertura do evento, o diretor executivo de sustentabilidade, Roberto Donato, lembrou que a criação da Diretoria busca integrar as iniciativas ligadas à sustentabilidade na Universidade. “E se a DExS representa uma estrutura de governança, a governança só existe, de fato, porque ela é capilarizada. E essa capilaridade tem nome: são os facilitadores”, afirmou. “Os facilitadores são a infraestrutura humana da sustentabilidade na universidade, ao fazerem a mediação entre a diretriz institucional e o cotidiano das unidades, são eles que garantem que uma política não permaneça no plano do documento, mas se traduza em procedimento, rotina e cultura institucional. E isso se apoia em uma trajetória que não começa agora”, complementou o diretor.

"Os facilitadores são a infraestrutura humana da sustentabilidade na universidade", afirmou o diretor executivo da DExS, Roberto Donato. Foto: Camila Grossi
“Os facilitadores são a infraestrutura humana da sustentabilidade na universidade”, afirmou o diretor executivo da DExS, Roberto Donato. Foto: Mario Moreira

Em 2003, após discussões colegiadas sobre a necessidade de uma Política Ambiental para a Unicamp, houve a criação do Grupo Gestor de Resíduos, junto à Coordenadoria Geral da Unicamp (CGU), através da Resolução GR-94/2003. A Política Ambiental para a Unicamp foi institucionalizada em novembro de 2010, através da Deliberação CONSU 533/2010, a partir do Grupo Gestor Ambiental/CGU. Como evolução desta Política Ambiental, a Unicamp criou o Sistema de Gestão Universidade Sustentável, que culminou na criação do Grupo Gestor Universidade Sustentável (GGUS) através da Resolução 41/2014. O GGUS atuou como órgão ligado ao Gabinete do Reitor até 2018, quando passou a integrar a Diretoria Executiva de Planejamento Integrado (DEPI), colaborando, através das Câmaras Técnicas de Gestão (CTGs), com o levantamento e a assessoria nas áreas de sustentabilidade.

O Grupo Gestor Universidade Sustentável (GGUS) da Unicamp foi criado como uma ampliação da visão institucional sobre as questões ambientais, passando de uma abordagem focada na gestão de resíduos e eliminação de passivos ambientais para uma perspectiva mais abrangente de sustentabilidade. Com a criação do GGUS, a Unicamp buscava estabelecer um Sistema de Gestão Universidade Sustentável tendo como objetivos, por exemplo, o cumprimento da legislação ambiental, o engajamento da comunidade universitária e a melhoria da qualidade dos espaços institucionais. “O que estamos fazendo agora é dar um passo adicional: integrar essa trajetória a uma política institucional mais ampla, com maior capacidade de coordenação, de monitoramento e de projeção externa”, pontuou Donato. “A sustentabilidade é um campo de inovação, de captação de recursos e de produção de soluções com impacto social mais amplo. Se queremos que a universidade tenha protagonismo na agenda climática e na construção de futuros sustentáveis, isso não se resolve apenas no plano da pesquisa ou do discurso público. Isso se resolve também — e talvez principalmente — na forma como organizamos a nossa própria casa. E a gestão de resíduos é um dos lugares mais concretos onde essa transformação acontece”, disse.

Resíduos embalados antes do envio para incineração. Foto: Geare/2026
Resíduos embalados antes do envio para incineração. Foto: Geare/2026

No primeiro trimestre de 2026 a Geare realizou a transferência de 24,4 toneladas de resíduos químicos perigosos para o abrigo de resíduos da Universidade. Após a paletização e o embalamento, estes resíduos foram enviados para incineração. Foram atendidas as seguintes unidades atendidas: GASTRO, HC, HEMO, IQ, CEMIB, CECOM, CBMEG, CCSNANO, CEPETRO, DMA, FCA, FCF, FCM, FEA, FEM, FEQ, FOP, FT, IA, IB, IFGW e LACTAD.

Regina Micaroni apresentou um panorama da gestão de resíduos na Unicamp. Foto: Camila Grossi
Regina Micaroni apresentou um panorama da gestão de resíduos na Unicamp. Foto: Mario Moreira

Para a coordenadora da GRL, Regina Micaroni, a parceria com FCM é um bom exemplo de colaboração na gestão de resíduos na Universidade. “Temos logrado bons resultados nas ações e no engajamento das equipes”, afirmou. “No evento pudemos ir além das especificidades de resíduos da área de saúde e trazer um panorama geral da gestão em toda a Unicamp. Isso é importante para que as pessoas conhecerem a estrutura e a complexidade dos serviços que oferecemos”, finalizou.

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