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Em 1992, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, ONU, declarou o dia 22 de março como sendo o Dia Mundial das Águas (DMA). Entre os objetivos estão aumentar a consciência pública sobre a conservação, preservação dos suprimentos de água potável e sobre a relevância desse recurso para a sobrevivência e o equilíbrio dos ecossistemas. Neste contexto, a água da chuva é estratégica tanto para manutenção da segurança hídrica como para adaptação às mudanças climáticas, especialmente nas cidades.

Foi para aperfeiçoar os sistemas de manejo da água da chuva na Unicamp que a Coordenadoria de Sustentabilidade (CSUS), ligada à Diretoria Executiva de Sustentabilidade (DExS) da Unicamp, está desenvolvendo um projeto de requalificação do sistema de drenagem do campus Zeferino Vaz e HIDS Unicamp. “O sistema de drenagem que temos em nosso campus data dos anos 1960, com uma estrutura convencional, projetada para remover a água das superfícies urbanas rapidamente. O foco é no escoamento, e não na infiltração da água no solo, explica a engenheira civil da CSUS, Gabriela Romero.

Segundo ela, com o crescimento do campus ao longo das décadas, muitas áreas naturais foram impermeabilizadas por conta de novas construções, estacionamentos e sistema viário, por exemplo. “Isso dificulta a absorção da água da chuva pelo solo, fazendo com que a água escorra rapidamente, podendo provocar alagamentos, erosão do solo, sobrecarga do sistema de drenagem já envelhecido e que não comporta os volumes de água atuais e, ainda, poluição da água, na medida em que transformam a chuva em um agente de transporte que carrega poluentes difusos e resíduos sólidos para os rios, córregos e lagoas”, complementa Romero. Além disso, os eventos climáticos extremos têm se tornado mais comuns, agravando esses problemas.

Eventos extremos agravam problemas relacionados à drenagem das águas pluviais. Crédito: Antônio Scarpinetti/SEC/Unicamp
Eventos extremos agravam problemas relacionados à drenagem das águas pluviais. Crédito: Antônio Scarpinetti/SEC/Unicamp

Exemplos que vem da natureza – No projeto de requalificação da CSUS a ideia é implementar as chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SBNs), que imitam ou aproveitam processos naturais no manejo da água da chuva. Alguns exemplos são a implementação de áreas com plantas que absorvem e filtram a água, os jardins de chuva, de coberturas com vegetação que reduzem o escoamento, como paredes e telhados verdes, a instalação de pavimentos permeáveis, que permitem que a água infiltre no solo e ainda a recuperação de rios e córregos, como nos corredores ecológicos da Unicamp, de modo a devolver características naturais aos cursos d’água.

“Depois de passar por uma etapa de diagnóstico para entender como a água circula no campus e onde estão os principais problemas e de mapear as áreas impermeáveis e os pontos de alagamento, estamos justamente na fase de identificar quais SBNs são as mais adequadas para cada local”, explica Romero. “Esperamos implementar soluções em várias escalas: desde as ruas, praças, prédios, estacionamentos até a recuperação dos nossos córregos e nascentes. Estamos realizando alguns estudos para incluir as SBNs em projetos que já contam com recursos, como o das “ruas compartilhadas”’, complementa a engenheira da CSUS.

Hoje tanto o volume de retenção de água de chuva da cobertura das construções quanto de retenção e infiltração de águas pluviais de vias e calçadas no campus Zeferino Vaz é menor do que 1%. Com a aprovação do projeto de drenagem sustentável, a expectativa para 2030, é aumentar em 10% a área de coberturas, em 20% o volume de retenção em vias e calçadas, aumentar de 10 para 22% a proporção de pavimentos permeáveis. Também são objetivos reduzir em 15% os canais fechados no campus e recompor 3,5 mil m2 de vegetação marginal dos córregos.

Em termos práticos, espera-se diminuir os alagamentos, melhorar a qualidade da água, aumentar a biodiversidade, deixar o campus mais fresco e disponibilizar mais espaços agradáveis para as pessoas.

Por Patricia Mariuzzo / Crédito foto de capa: Pixabay

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